Ciência

Porque algumas pessoas dormem pouco e funcionam bem (ou até melhor) assim, segundo a ciência

26 • 07 • 2022 às 19:23
Atualizada em 28 • 07 • 2022 às 20:19
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Se o senso comum nos ensina que dormir 8 horas por dia é parte da receita para uma vida saudável, a ciência vem demonstrando que nem todo sono é igual: muita gente dorme pouco e funciona muito bem e com saúde assim. O pesquisador Louis Ptacek, do Departamento de Neurologia da Universidade da Califórnia, nos EUA, vem há décadas desenvolvendo uma série de estudos para desvendar os mistérios do sono, e o que chama de “sono curto natural”.

Novos estudos sugerem que as pessoas com "sono curto natural" não precisam dormir muito

Novos estudos sugerem que as pessoas com “sono curto natural” não precisam dormir muito

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Segundo reportagem da BBC, o pesquisador vem estudando diferentes padrões de sono há 25 anos e, em meio a essa vasta pesquisa, percebeu a existência de pessoas que, embora se levantassem cedo pelo manhã, costumavam ficar acordadas até tarde sem prejudicar a saúde. “Temos uma forte impressão de que essas pessoas são mais saudáveis do que a média”, afirma Ptacek.

O estudo sugere que tais pessoas precisam de "apenas" 4 a 6 horas de sono para se revigorar

O estudo sugere que tais pessoas precisam de “apenas” 4 a 6 horas de sono para se revigorar

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Os estudos até aqui associaram quatro genes às pessoas de “sono curto natural”, sugerindo que essas pessoas seriam geneticamente projetadas para dormirem um sono de “alto desempenho”, capaz de revigorar nossas forças em apenas 4 a 6 horas de descanso. Os genes identificados, porém, são raros, presentes em uma pessoa em cada mil, mas as pesquisas podem trazer informações valiosas para a saúde do sono em geral – e até para outras doenças.

O pesquisador Louis Ptacek, do Departamento de Neurologia da Universidade da Califórnia

O pesquisador Louis Ptacek, do Departamento de Neurologia da Universidade da Califórnia

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Um novo estudo realizado por Ptacek e sua equipe introduziu os genes associados ao sono curto em camundongos com Alzheimer, e os animais responderam resistindo melhor à doença. Assim, o pesquisador sugere um potencial imenso na compreensão dos segredos do sono de quem não precisa dormir muito, como um caminho para aplicações terapêuticas em doenças psiquiátricas, diabetes, diversos tipos de câncer, e mais.

Os estudo de Ptacek associaram até aqui 4 genes raros ao sono curto natural entre as famílias

Os estudo de Ptacek associaram até aqui 4 genes ao sono curto natural entre as famílias estudadas

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“Eles dormem muito menos e ainda são muito funcionais, então talvez estejam dormindo com mais eficiência. A questão é o que isso significa”, conclui o pesquisador. A reportagem da BBC pode ser lida aqui.

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© fotos 1, 4: Getty Images

© foto 2: Pexels

© foto 3: Universidade da Califórnia/divulgação


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