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Rage Against the Machine: a história da banda que fala sobre política desde antes de você nascer

21 • 07 • 2022 às 09:15
Atualizada em 24 • 07 • 2022 às 20:18
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Antes de ser uma das mais emblemáticas e influentes dos anos 90 ou de misturar rap e rock, o Rage Against The Machine é uma banda política – e de esquerda, desde sua fundação há mais de 30 anos e até hoje. A “Fúria contra a máquina” que batiza o grupo não deixa dúvidas de que cada canção, cada disco e vídeo expressam o compromisso revolucionário, anti-imperialista e anticapitalista que o define. Ainda assim, toda vez que o Rage volta aos palcos ou lança alguma nova obra, muita gente ingenuamente reage em espanto ou crítica pelo fato da banda “falar” de política.

O Rage Against The Machine se apresentando em 2008

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A banda surgiu em 1991 reunindo os músicos Zack de La Rocha nos vocais, Tom Morello na guitarra, Tim Commerford no baixo e Brad Wilk na bateria, e teve desde o primeiro momento o propósito de falar de política, a partir das próprias experiências vividas e assistidas por seus membros. A origem familiar mexicana, a pobreza, a xenofobia, sob a influência de grupos também políticos como The Clash, Public Enemy, Bob Dylan, Bad Brains, Sex Pistols, Run-DMC e tantos mais, moveram a própria formação da banda, e seguem sendo o sentido e o alvo das músicas do grupo.

Zack De La Rocha e Tom Morello em show em 1992

Zack De La Rocha e Tom Morello em show em 1992

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O Rage Against The Machine se tornou uma das bandas mais populares do mundo a partir do primeiro disco, de 1992, que traz o nome da banda como título e, na capa, a histórica foto mostrando o monge Thích Quảng Đức em chamas, após colocar fogo em si mesmo em 1963 como protesto contra a perseguição aos budistas no Vietnã do Sul. O disco é quase inteiro formado por clássicos, e canções como “Killing in the Name”, “Bombtrack”, “Take the Power back”, “Bullet in the Head”, “Know Your Enemy” e “Freedom” deixavam claro não só a qualidade estética e musical da banda, como também a força poética e política do discurso brilhantemente conduzido por De La Rocha.

A emblemática capa do primeiro disco da banda, de 1992

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O sucesso não diminuiu o compromisso da banda, e os discos Evil Empire, de 1996, e The Battle of Los Angeles, de 1999  também colecionaram clássicos e críticas ao imperialismo, à globalização capitalista e ao racismo, reiterando o radical posicionamento antifascista do Rage – que costumeiramente se alinha também ao Zapatismo, movimento revolucionário indígena mexicano. Aos que criticam o fato de trabalhar para corporações da indústria fonográfica, o grupo deixa claro que, em uma realidade capitalista, utilizam o mecanismo para levar o discurso revolucionário para uma maior quantidade de pessoas.

Críticas por “falar” de política

Zack em show diante da bandeira do Exército Zapatista de Libertação Nacional

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E as críticas não são poucas, e muitas vezes se tornam até cômicas pelo absurdo: para uma das bandas mais politizadas da história da música pop, é incrível a quantidade de pessoas que se dizem fãs, mas que rejeitam o fato da banda falar de política em seus shows. Durante a atual turnê, se posicionaram contundentemente contra a decisão do Supremo dos EUA de derrubar a legalização do aborto em todo o país. Nas redes, comentários reclamaram que a banda havia “entrado pra turma da lacração”, e que “eles realmente eram melhores quando deixavam a política de fora” – mesmo que esse passado nunca tenha existido.

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Em 2017, Morello respondeu à altura uma dessas críticas. Um “fã” reagiu a uma foto do guitarrista com um adesivo que se lia “Foda-se Trump”, afirmando que Morello era “mais um músico de sucesso que instantaneamente se transforma em um especialista em política”. O guitarrista escreveu que uma pessoa não precisa ser “graduado com honrarias em Ciência Política pela Universidade de Harvard para reconhecer a natureza antiética e inumana” do governo Trump. “Mas, bem, eu por acaso sou graduado com honrarias em Ciência Políticas pela Universidade de Harvard, então posso te confirmar isso”, concluiu.

O RATM é uma das mais politizadas e influentes bandas de todos os tempos

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© fotos 1, 3: Wikimedia Commons

© fotos 2, 4, 5, 6: Getty Images


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