Arte

Sonhos e cores na obra de Odilon Redon, o pintor que influenciou as vanguardas do século 20

29 • 07 • 2022 às 14:51
Atualizada em 02 • 08 • 2022 às 10:41
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Entre os muitos artistas que revolucionaram a pintura na Europa do final do século 19, o nome do francês Odilon Redon é menos conhecido e celebrado do que alguns de seus contemporâneos, como Monet, Degas, Renoir, Klimt, Picasso ou Van Gogh. O impacto e a influência do trabalho de Redon, porém, supera sua época e vida, apontado como precursor direto de importantes movimentos como o expressionismo abstrato, o dadaísmo e o surrealismo.

"O Ciclope", de Odilon Redon (1914)

“O Ciclope”, de Odilon Redon (1914)

Odilon Redon é considerado o principal pintor simbolista francês

Odilon Redon é considerado o principal pintor simbolista francês

-Pollock, Rothko, Kline… Afinal, o que não conseguimos ver em um quadro abstrato?

Considerado o mais importante e vanguardista pintor simbolista francês, Redon trabalhava principalmente com o pastel, a litografia e a tinta a óleo e, apesar de ter atuado na cena francesa ao mesmo tempo em que o impressionismo e o pós-impressionismo floresciam, seu trabalho se destacava sem se enquadrar em nenhum desses movimentos. O interesse pelo romance, o mórbido, o onírico e o oculto posicionaram Redon no movimento conhecido como Simbolismo, próximo especialmente dos poetas simbolistas Mallarmé e Huysmans.

"Ofélia", de Odilon Redon (1900–1905)

“Ofélia”, de Redon (1900–1905)

“Reflexão”, de Odilon Redon (1900–1905)

“Reflexão”, de Odilon Redon (1900–1905)

-O charme absurdo do surrealismo erótico dos anos 1920

Um dos elementos que mais se afirmaria como legado da pintura de Redon, influenciando diretamente o dadaísmo e o surrealismo, era o uso de temas e imagens oníricas e da imaginação em suas pinturas. No lugar de se inspirar ou retratar o real ao redor, o pintor escolhia imagens e temas oriundos dos sonhos e pesadelos, das mitologias e histórias. Assim, a ênfase nas emoções, cores e até mesmo abstrações tornavam o trabalho de Redon especialmente singular no período.

"Flores", de Redon (1909): o tema floral também reaparece ao longo de seu trabalho

“Flores”, de Redon (1909): o tema floral também reaparece ao longo de seu trabalho

"Borboletas", de 1910

“Borboletas”, de 1910

"O Buda" (1906–1907): a influência da arte japonesa também foi determinante

“O Buda” (1906–1907): a influência da arte japonesa também foi determinante

-Valadon: a modelo de Renoir era na verdade uma grande pintora

Apesar de não ser tão celebrado quanto seus pares, o nome de Redon é pilar essencial do caminho que desembocaria em alguns dos mais importantes momentos e movimentos do século 20: Henri Matisse, por exemplo, costumava celebrar a escolha inusitada de cores do trabalho do simbolista como influência. “Meus desenhos inspiram, e não são para serem definidos. Eles nos colocam, como faz a música, no reino ambíguo do indeterminado”, afirmou o pintor, que faleceu em 6 de julho de 1916, aos 76 anos.

"Carruagem de Apolo", de 1910

“Carruagem de Apollo”, de 1910

"Guardião do espírito das águas", de 1878

“Guardião do espírito das águas”, de 1878

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