Debate

Violência obstétrica: mecanismos de proteção de mulheres após novo caso de estupro durante cesárea

11 • 07 • 2022 às 15:48
Atualizada em 11 • 07 • 2022 às 17:32
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Na madrugada desta segunda-feira (11), o anestesista Giovanni Quintella Bezerra foi preso em flagrante por estuprar uma mulher que passava por uma cesárea no Hospital da Mulher Heloneida Studart em Vilar dos Teles, São João de Meriti, no Rio de Janeiro.

Funcionárias do hospital desconfiavam do anestesista e colocaram uma câmera escondida para vigiá-lo. As profissionais registraram em vídeo o estupro.

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O caso evidencia como as mulheres vivem em constante estado de insegurança no Brasil. A história trágica, que envolve violência sexual e violência obstétrica, infelizmente não é rara em um dos países mais machistas do mundo.

Relatamos, no fim do ano passado, diversas denúncias contra o médico Renato Kalil, acusado de violência obstétrica e estupro por uma série de mulheres, em um dos vários casos do tipo.

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Como denunciar violência obstétrica

A violência obstétrica não é tipificada na lei brasileira, mas existem diversas práticas criminosas que os médicos podem cometer contra mulheres.

A realização de procedimentos como “ponto do marido”, a ideia racista e estapafúrdia de que mulheres negras suportam mais a dor e até crimes escandalosos como o praticado pelo anestesista Giovanni Quintella Bezerra, que se sente tão seguro  com o pacto machista a ponto de estuprar uma paciente que passa por uma cesariana. Quaisquer outras ações não-autorizadas são passíveis de processos por lesão corporal e danos morais.

– Uma em cada quatro mulheres é vítima de violência obstétrica no Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define violência médica e obstétrica como a “apropriação do corpo da mulher e dos processos reprodutivos por profissionais de saúde, na forma de um tratamento desumanizado, medicação abusiva ou patologização dos processos naturais, reduzindo a autonomia da paciente e a capacidade de tomar suas próprias decisões livremente sobre seu corpo e sua sexualidade, o que tem consequências negativas em sua qualidade de vida”.

Para denunciar, você pode apelar para as Delegacia da Mulher mais próxima ou para o disque 180. Além disso, é possível denunciar o médico no próprio hospital, clínica ou maternidade em que a vítima foi atendida.

Caso o atendimento seja no SUS, você pode utilizar a ouvidoria da saúde pública, através do disque 136. Nas redes privadas, o telefone é 08007019656, da Agência Nacional de Saúde Suplementar.

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