Ciência

Você sabia que, há 45 milhões de anos, centenas de rãs morreram durante o sexo na Alemanha?

11 • 07 • 2022 às 10:00 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Um grupo de paleontólogos buscou explicar o motivo por trás de um bizarro fenômeno ocorrido na Alemanha há 45 milhões de anos: por que centenas de rãs morreram em um mesmo local? Fósseis indicando o incidente foram descobertos no passado em um antigo pântano na região de Geiseltal, no centro do país, e uma nova investigação publicada na revista Papers in Palaentology, conclui que os animais faleceram enquanto acasalavam.

Alguns dos anfíbios fossilizados encontrados no pântano na região de Geiseltal, na Alemanha

Alguns dos anfíbios fossilizados encontrados no pântano na região de Geiseltal, na Alemanha

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A descoberta foi publicada por pesquisadores da Universidade College Cork, na Irlanda, revelando que mais de 50 mil animais morreram no local durante o período Eoceno: junto dos anfíbios, foram encontrados restos de pássaros, cavalos, morcegos e peixes em uma espécie de armadilha aquática. Estudos anteriores sugeriam que os sapos teriam morrido por conta de um processo de seca em lagos ou pela falta de oxigênio nas águas, mas a nova pesquisa contraria tais conclusões.

O estudo dos ossos sugeriu que as mortes só podem ter acontecido durante acasalamento

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“Os sapos estavam saudáveis quando morreram, e os ossos não revelam nenhum sinal de predadores ou comedores de carniça, nem há qualquer evidência de que se afogaram durante inundações ou que morreram por seca no pântano”, afirmou o pesquisador Daniel Falk, líder do estudo, em comunicado. “Por processo de eliminação, a única explicação que faz sentido é que eles morreram durante o acasalamento”, diz o cientista. O estudo lembra que a morte durante o acasalamento já era comum com os sapos da antiguidade, e segue sendo entre os animais atuais.

O pesquisador Daniel Falk, líder do estudo, diante dos fósseis e dos registros

O pesquisador Daniel Falk, líder da pesquisa, diante dos fósseis e dos registros do estudo

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“As rãs fêmeas correm maior risco de se afogar, pois muitas vezes são submersas por um ou mais machos – isso geralmente acontece em espécies que se envolvem em congregações de acasalamento durante a curta e explosiva temporada de reprodução”, afirmou Maria McNamara, autora sênior do estudo. De acordo com a pesquisadora, a nova conclusão a respeito dos fósseis alemães revela que o processo de acasalamento dos anfíbios acontece como conhecemos hoje há pelo menos 45 milhões de anos.

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© fotos: Daniel Falk/reprodução


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