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4 artistas LGBT+ da música paraense mostram a diversidade queer da Amazônia

05 • 08 • 2022 às 10:47
Atualizada em 08 • 08 • 2022 às 10:38
Gabriela Rassy
Gabriela Rassy   Redatora Jornalista enraizada na cultura, caçadora de tendências, arte e conexões no Brasil e no mundo. Especializada em jornalismo cultural, já passou pela Revista Bravo! e pelo Itaú Cultural até chegar ao Catraca Livre, onde foi responsável pelo conteúdo em agenda cultural de mais de 8 capitais brasileiras por 6 anos. Roteirizou vídeo cases para Rock In Rio Academy, HSM e Quero Passagem, neste último atuando ainda como produtora e apresentadora em guias turísticos. Há quase 3 anos dá luz às tendências e narrativas culturais feministas e rompedoras de fronteiras no Hypeness. Trabalha em formatos multimídia fazendo cobertura de festivais, como SXSW, Parada do Orgulho LGBT de SP, Rock In Rio e LoollaPalooza, além de produzir roteiros, reportagens e vídeos.

A cultura paraense tem uma riqueza incrível de gêneros e sonoridades. Despontando nacionalmente desde 2012 com artistas como Gaby Amarantos, Felipe e Manoel Cordeiro, Dona Onete, entre tantos outros, a música feita na Amazônia tem um lado queer que vale muito a pena ser ouvido e sentido. Selecionei 5 artistas LGBTQIAP+ para mostrar a diversidade que a música paraense pode ter quando falamos em gêneros e performance.

Vamos nessa!

1. Aíla

Uma das principais vozes da música pop contemporânea da Amazônia, Aíla é cantora, compositora, diretora artística e musical, além de idealizadora de Festivais pioneiros na Região Norte do país, como o Festival MANA, que debate o protagonismo das mulheres no mercado da música.

Aíla por JR Franch

Aíla por JR Franch

Nascida na Terra Firme, periferia de Belém, a artista traz diversidade e inovação na sua trajetória. Com letras de amor ou falas diretas, envoltas pela música popular feita nas “bordas” do país, Aíla instiga e faz vibrar. Entre referências que mesclam o Pará e o mundo, a artista também ecoa reflexões necessárias para o agora, como questões de gênero e feminismo.

Com três discos lançados, e mais de 5 milhões de plays nas plataformas de streaming, ela inaugura uma nova fase na sua carreira, uma imersão ainda maior nos ritmos populares brasileiros, sons que ditam a música pop, e que nascem nas periferias do país. No novo disco, “Sentimental” (2021), a artista exalta a música pop da Amazônia, num álbum que é uma avalanche rítmica – com brega, calypso, brega funk, pisadinha, pagodão – fincada na cultura brasileira. As letras são gostosas e diretas, com refrões chicletes e forte apelo popular.

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2. Guitarrada das Manas

Experimentalismo instrumental aliado a sonoridade regional amazônica é o mote da Guitarrada das Manas. Formado pelas multi-instrumentistas Beá, nos sintetizadores e programações, e Renata Beckmann, na guitarra, o projeto é considerado pioneiro por trazer um olhar feminino para a guitarrada, tocada até então apenas por homens.

Guitarrada das Manas e Leona no Festival Favela Sounds | Foto: Thais Mallon

Em 2019 lançaram o álbum Guamense, inspirado em ritmos populares difundidos pela Amazônia, tais como Brega, Cumbia, Merengue, Lambada, Carimbó, Pop, além de sons contemporâneos. No show do último festival Favela Sounds, elas contaram com a participação especial de Leona Vingativa, ícone da cultura LGBTQIAP+ paraense.

3. Leona Vingativa

Leona Vingativa ficou conhecida nacionalmente aos 10 anos de idade, em 2008, pelos vídeos postados no Youtube, mini novelas de muita criatividade. Apadrinhada por Gaby Amarantos, lançou-se na música, sempre produzindo vídeos para apoiar suas novidades sonoras. Hoje acumula mais de 5 milhões de visualizações em suas faixas, feitas pra animar as pistas LGBTQIAP+ do Brasil.

4. RAWI

Celebrando a jornada de seu disco “Facão Que Abre os Caminhos”, lançado em julho de 2021, o cantor e compositor queer paraense faz mais um mergulho visual nas canções do álbum. O disco traz 9 faixas, cada uma em busca de novos rumos, mostrando versatilidade na mistura de ritmos como o carimbó com o rock, brega, pop e o eletrônico.

A segunda parte do álbum é um projeto audiovisual que compila todos os videoclipes em formato de filme. O álbum visual é um projeto selecionado pela Lei Aldir Blanc, foi gravado durante a pandemia no decorrer de 9 meses entre produção, gravação, pós-produção e teve o seu lançamento em setembro de 2021.

“Esse disco é um mergulho nas raízes, uma vontade de se buscar além da superfície, a vontade de quebrar a casca que vai se criando com o tempo. É a aventura de estar vivo, confuso, e em constante procura do que se há além, de si, dos outros e do mundo”, sintetiza

Além de inúmeros shows, RAWI já trabalhou em peças teatrais atuando, escrevendo e produzindo, na produção de shows colaborativos como Puxirum Cultural (Coletivo Bixa Orellana), lançou diversos zines de poesia independente, realizou exposições de artes plásticas solo, como Alquebramento e Meu Sagrado Indestrutível Coração, e atuou e dirigiu curtas metragens.

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Fotos destaque: RAWI por Barbara Vale, Aíla por JR Franch e Leffs por Gabriel Rodrigues (@chadvox)


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