Ciência

Cigarro eletrônico é como fumar 20 cigarros por dia, diz cardiologista

03 • 08 • 2022 às 08:55 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Sugerido como uma alternativa mais saudável ao cigarro comum, o cigarro eletrônico em verdade impõe uma quantidade de nicotina sobre o corpo equivalente a fumar 20 cigarros normais por dia. É esse o dado mais importante apontado por uma reportagem da BBC News Brasil sobre os dispositivos eletrônicos, hoje tão populares entre os jovens: a informação foi trazida à matéria pela cardiologista Jaqueline Scholz, especialista em tabagismo.

1 em cada 5 jovens brasileiros já usaram o dispositivo ao menos uma vez, diz estudo

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A médica é diretora do Ambulatório de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração (InCor), e se diz especialmente preocupada com o uso do cigarro eletrônico entre os jovens brasileiros: apesar do dispositivo não ser liberado pela Anvisa por aqui, levantamentos afirmam que uma em cada cinco pessoas de 18 a 24 anos já usou o cigarro eletrônico ao menos uma vez. O sucesso ameaça, segundo Scholz, a redução na taxa de iniciação no tabagismo que vinha se dando entre adolescentes brasileiros.

Um dos maiores males se dá pelos eletrônicos serem oferecidos como alternativa saudável ao cigarro

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Parte da ameaça dos cigarros eletrônicos se dá pelo fato de serem apresentados como uma opção mais saudável aos cigarros de tabaco tradicionais. A médica lembra que essa afirmação não tem comprovação científica nem estudos que a ofereçam suporte. Como líder de um dos melhores ambulatórios de combate ao tabagismo no país, Scholz garante que os cigarros eletrônicos não só não ajudam a parar de fumar, como também fazem mal à saúde.

Alguns dispositivos mais potentes oferecem alto índice de ingestão de produtos químicos

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Apesar de não ter combustão nem produzir fumaça, os eletrônicos apresentam três ingredientes considerados especialmente nocivos: a nicotina, psicoativo que provoca alto nível de dependência,  o propilenoglicol, espécie de condutor que dilui e carrega a nicotina pelo organismo, e os aromatizantes, que tornam os dispositivos mais agradáveis e aceitos socialmente, atraindo especialmente o público jovem.

A cardiologista confirma que o hábito é equivalente ao consumo de 20 cigarros normais por dia

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O índice de nicotina equivalente a 20 cigarros é percebido pela médica em seu consultório principalmente entre jovens usuários do cigarro eletrônico de 16 a 24 anos. Scholz concordou com a decisão da Anvisa de manter o dispositivo proibido no Brasil, mas a Souza Cruz, maior empresa da indústria de tabaco no país, afirmou, para a reportagem, que a permissão traria regulamentação adequada, elevando assim o controle da composição, procedência, bem como os parâmetros gerais de qualidade e sanitários. A reportagem da BBC pode ser lida aqui.

A vigilância sanitária brasileira mantêm como proibido o cigarro eletrônico no país

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