Inspiração

Estátua de Carolina Maria de Jesus é inaugurada em bairro paulistano

01 • 08 • 2022 às 10:15 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Foi inaugurada no bairro de Parelheiros, zona sul da cidade de São Paulo, uma estátua em homenagem à escritora mineira Carolina Maria de Jesus. A autora da histórica obra “Quarto de Despejo” teve sua representação, instalada na Praça Júlio César de Campos, inaugurada após cinco meses cercada por tapumes, em cerimonial que contou com a presença de Vera Eunice de Jesus, filha de Carolina, e moradores da região.

A estátua de Carolina Maria de Jesus foi inaugurada em praça no bairro de Parelheiros

A estátua de Carolina Maria de Jesus foi inaugurada em praça no bairro de Parelheiros

A escritora Carolina Maria de Jesus tornou-se uma das mais populares do mundo

A escritora Carolina Maria de Jesus tornou-se uma das mais populares do mundo

-Carolina Maria de Jesus se torna bibliografia obrigatória em duas universidade do Brasil

A estátua é parte de um projeto em celebração de grandes personalidades negras da cultura de São Paulo, no qual também foram homenageados o cantor e compositor Itamar Assumpção, a sambista e ativista do movimento negro Madrinha Eunice, o compositor Geraldo Filme e o atleta olímpico Adhemar Ferreira da Silva. A inauguração da estátua de Carolina foi parte da programação em comemoração do Dia da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha, celebrado no dia 25 de julho.

Detalhe da estátua de Carolina inaugurada recentemente em São Paulo

Detalhe da estátua de Carolina inaugurada recentemente em São Paulo

-Marielle Franco virou estátua: o legado da mulher negra símbolo da violência política do Brasil

Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, no interior de Minas Gerais, e migrou para São Paulo, onde foi morar na favela do Canindé. Nos anos 1950, ela trabalhava como catadora de papel, e mantinha uma série de diários relatando sua vida e luta, seu dia a dia marcado pelas dores da pobreza e da fome.  Com um estilo objetivo e profundo, os cadernos foram descobertos pelo jornalista Audálio Dantas e reunidos no livro “Quarto de despejo: Diário de uma favelada”, que se tornaria um verdadeiro fenômeno editorial e sócio-cultural.

Carolina assinando "Quarto de Despejo": estima-se que o livro vendeu mais de 5 milhões de cópias

Carolina assinando “Quarto de Despejo”: estima-se que o livro vendeu mais de 5 milhões de cópias

-Carolina Maria terá obra publicada com supervisão da filha e de Conceição Evaristo

O livro se tornaria um marco da escrita feminina no mundo e um sucesso comercial e crítico sem precedentes, vendendo mais de 5 milhões de exemplares e traduzido para 16 idiomas. A escolha do local da homenagem se deu pelo fato de Carolina ter vivido em Parelheiros no período final de sua vida, até falecer em 1977. Inicialmente a estátua seria posicionada em outro ponto do bairro, mas a prefeitura mudou para Praça Júlio César de Campos a pedido da filha da escritora.

Vera Eunice de Jesus, filha de Carolina, na inauguração da estátua

Vera Eunice de Jesus, filha de Carolina, na inauguração da estátua

Publicidade

© fotos 1, 3, 5: Youtube/TV Brasil/reprodução

© foto 2: Audálio Dantas/reprodução

© foto 4: Wikimedia Commons


Canais Especiais Hypeness