Diversidade

Google celebra Cláudia Celeste e nós contamos história da 1ª trans a aparecer em novela no Brasil

25 • 08 • 2022 às 10:26
Atualizada em 26 • 08 • 2022 às 10:28
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Cláudia Celeste (1952 – 2018) foi homenageada pelo Google na última segunda, dia 22 de agosto. Estampando o Doodle da plataforma de busca, ela foi a primeira transsexual a atuar como atriz em novelas brasileiras. Carioca nascida no bairro de Vila Isabel, recebeu seu nome artístico de Carlos Imperial, quando o produtor assistiu ao seu show “Era uma vez no Carnaval”, no Teatro Rival, em 1973.

A homenagem do Google veio exatamente na mesma data que, em 1988, Cláudia apareceu pela primeira vez em um papel de mulher abertamente trans. Sua atuação de estreia na TV foi no episódio de abertura da novela “Olho por Olho”, da Rede Manchete.

Cláudia Celeste: história de 1ª trans a aparecer em novela no Brasil

Google celebra Cláudia Celeste e nós contamos história de 1ª trans a aparecer em novela no Brasil

Cláudia Celeste abriu os caminhos 

A artista carioca foi ainda cantora, dançarina, produtora e diretora, sendo inspiração para outros tantos talentos da comunidade LGBTQIA+ e principalmente trans no Brasil.

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Cláudia Celeste nasceu em 14 de julho de 1952 e, na juventude, serviu no exército até ser dispensada e começar a estudar para ser cabeleireira. Aos 20 anos se formou em beleza e passou a atender em Copacabana. Em pouco tempo, resolveu fazer a transição de gênero e iniciar sua carreira artística.

O trabalho como bailarina foi sua porta de entrada para o universo da arte. Entre as décadas de 1950 e 1960, ela fazia apresentações cno conjunto de casas noturnas do Beco das Garrafas, no centro do Rio de Janeiro.

‘O Mundo é das Bonecas’

Em 1973, Celeste estrelou seu primeiro grande espetáculo, no Teatro Rival. O espetáculo “O Mundo é das Bonecas” foi o primeiro show de travestis a conseguir uma licença do governo depois da proibição de espetáculos do gênero pela ditadura militar. Até hoje o teatro recebe apresentações de drag queens e travestis em sua programação.

Em 1975, a artista fez a sua estreia no cinema, integrando o elenco da comédia “Motel”, dirigida por Alcino Diniz. No ano seguinte, o reconhecimento televisivo veio após Claudia vencer o concurso de beleza Miss Brasil Pop.

 

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A entrada de Claudia na televisão

Parecia que tudo correria muito bem em sua carreira e que sua transição de gênero seria já absorvida e respeitada em um momento que a contracultura estava tão em alta. Porém as coisas não foram bem assim.

Quando o diretor Daniel Filho assistiu “Transetê no Fuetê”, rapidamente viu o potencial do espetáculo e decidiu incorporar um número na novela “Espelho Mágico” (1977), da TV Globo. Sem questionar Cláudia sobre seu gênero, ele a escalou para contracenar com Sonia Braga, que seria sua coreógrafa.

A imprensa passou então a investigar a vida da atriz e transformou sua presença na emissora em um escândalo. A Gazeta de Notícias de 8 de agosto de 1977 publicou a manchete: “Cláudia (ou melhor, Cláudio), o travesti que enganou todo mundo”, expondo detalhes inclusive mentirosos sobre a vida da artista. Assim, a participação de Cláudia foi cortada da novela.

“Antes, ninguém sabia que eu era travesti, nem Daniel Filho. Ninguém nunca me perguntou! E, como ficou muito ti-ti-ti, tiraram os capítulos que eu já tinha feito”, explicou a Cláudia em entrevista à Geni no ano de 2013.

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Em 1978, ela venceu o prêmio de “Miss Brasil Gay” (que hoje é chamado de “Miss Brasil Trans”), ganhando novamente os holofotes e abrindo oportunidades no cinema. A partir daí ela participou de filmes como”Beijo na Boca” (1982), de Paulo Sérgio de Almeida, e “Punk’s, Os Filhos da Noite” (1982), de Levi Salgado.

O convite para uma novela veio só em 1987, para viver a prostituta Dinorah, em “Olho por Olho”. Apesar de seguir movimentando a triste imprensa de fofoca que seguia usando seu nome em manchetes sensacionalistas.

“A gente não cozinha, não lava, não passa, não vive vida nenhuma, não tem inteligência nenhuma, não estuda… Não é professora, não é médica, não é nada – é sexo. E, depois dos anos 80, o travesti ficou ligado à prostituição”, disse Cláudia ainda na entrevista para a revista Geni.

Cláudia seguiu uma carreira de sucesso pelos palcos até sua morte, aos 66 anos, vítima de uma infecção pulmonar.

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