Ciência

Pouca massa muscular está relacionada ao declínio cognitivo, aponta estudo

01 • 08 • 2022 às 10:20
Atualizada em 03 • 08 • 2022 às 09:09
Redação Hypeness
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Cada vez mais prevalente em todo o mundo, a demência afeta negativamente a vida de milhões de pessoas e suas famílias. No momento do diagnóstico, o processo parece ser irreversível. Contudo, uma nova pesquisa no JAMA Network Open, identifica a massa muscular como um fator modificável que poderia ser usado para diminuir o risco de desenvolver a condição, antes que seja tarde demais.

 

O trabalho destaca a importância da massa muscular como fator independente ligado ao rápido declínio cognitivo. “A baixa força muscular foi recentemente associada a um maior risco de demência, mas pouco se sabe sobre uma possível ligação entre massa muscular e cognição”, diz a principal autora Stéphanie Chevalier, cientista do Programa de Distúrbios e Complicações Metabólicas do Instituto de Pesquisa da Centro de Saúde da Universidade McGill. “Com este estudo, mostramos pela primeira vez que a presença de baixa massa muscular está significativamente associada a um declínio cognitivo mais rápido e que essa associação é independente da força muscular e nível de atividade física, entre outros fatores.

Universidade McGill, em Montreal, Canadá. Foto: Getty Images.

“Essas descobertas são importantes porque a massa muscular é um fator modificável, o que significa que podemos fazer algo a respeito. Exercício – particularmente exercícios de resistência – e boa nutrição com proteína suficiente podem ajudar a manter a massa muscular ao longo dos anos”, acrescenta Chevalier, que também é professor associado da Escola de Nutrição Humana da Universidade McGill.

Entenda a pesquisa

Os pesquisadores conduziram o estudo usando dados do Canadian Longitudinal Study on Aging (CLSA), que possui um rico conjunto de dados sobre composição corporal e vários testes cognitivos realizados pessoalmente, em intervalos de três anos, em uma coorte de 30.000 pessoas. A equipe de pesquisa perguntou se ter baixa massa muscular prediz o declínio cognitivo subsequente em três domínios – memória, função executiva e velocidade psicomotora – em adultos com 65 anos ou mais.

“Descobrimos que ter baixa massa muscular estava associado a maior declínio nas funções cognitivas executivas ao longo de três anos, em comparação com ter massa muscular normal, mas não com perda de memória ou função psicomotora”, diz a primeira autora Anne-Julie Tessier, estudante de doutorado com Stéphanie Chevalier na época deste estudo, que agora é pós-doutoranda na Universidade de Harvard. “As funções executivas são importantes em nossas atividades e comportamentos do dia-a-dia, pois nos ajudam a manter a atenção, organizar pensamentos e tomar decisões.”

Sinais de demência no cérebro. Foto Getty Images.

Além de seu papel na força e no funcionamento físico, os músculos são o reservatório de proteínas que atendem a vários processos corporais importantes. Os músculos também secretam moléculas que podem “falar” com o cérebro. Sabe-se também que exercitar e construir massa muscular, ao trazer mais fluxo sanguíneo para o cérebro, pode favorecer o funcionamento executivo.

“Nossos resultados mostram que medir a baixa massa muscular pode ajudar a identificar pessoas com maior risco de declínio cognitivo. Devemos medir o músculo de forma mais ampla, em clínicas, não apenas em estudos de pesquisa”, diz Chevalier. “Mais trabalhos devem determinar se manter ou ganhar músculos atenua o declínio cognitivo com a idade e, se houver um nexo causal, quais são os mecanismos”.

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