Ciência

Ruínas de culto misterioso milenar recém-descobertas podem mudar o que sabemos da pré-história

02 • 08 • 2022 às 10:12
Atualizada em 04 • 08 • 2022 às 10:55
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Descobertas arqueológicas recentes em AlUla, cidade na Rota do Incenso, a noroeste da Arábia Saudita, podem reescrever nossos conhecimentos sobre a pré-história a partir de ruínas de construções ligadas a cultos milenares da região. Chamadas de mustatils, expressão em árabe que significa “retângulo”, as imensas estruturas datam do período neolítico, e podem ser as mais antigas construções em pedra da história. As informações são de reportagem da BBC.

Os mustatils da região de Alula precisam ser vistos do alto pelo tamanho das construções

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As construções datam de 6000 a 4500 anos antes da era comum, e se formam a partir de grandes pedras empilhadas e espalhadas em linhas retas que formam os retângulos do nome, com larguras de cerca de dois metros e comprimentos maiores do que quatro campos de futebol. A “idade” das estruturas é anterior, por exemplo, a Stonehenge e à primeira pirâmide egípcia de Gizé e, além dos mustatils, a região também apresenta ruínas de casas e assentamentos construídas no período.

As construções recontam o que sabíamos sobre a pré-história na região

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Inicialmente apelidadas de “portões” pelo formato, os mustatils foram descobertos em AlUla incialmente na década de 1960, mas não se sabia então o que eram as formações. A Arábia Saudita se manteve fechada para missões arqueológicas até 2019, e por isso os sítios permaneceram praticamente intactos: as mais de 1,6 mil construções se espalham por um impressionante espaço de 300 mil quilômetros quadrados, com algumas estruturas pesando 12 mil toneladas, mais pesadas que a totalidade da Torre Eiffel.

Algumas construções superam o peso de 12 mil toneladas

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A conclusão de se tratar de um local onde aconteciam cultos partiu da descoberta de muitos crânios, ossos e chifres de animais em pequenas câmaras nas extremidades das construções. Não há, nos espaços, indicações de que os animais eram mantidos para uso doméstico, nem restos de outras partes dos corpos dos bichos, com artefatos que sugeriam práticas organizadas de rituais.

Diversos mustatils da região de AlUla

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As construções confirmam a presença de grupos com habilidades e conhecimentos profundos e específicos por longos períodos, e há ainda muitas descobertas por vir: dos 1,6 mil mustatils, somente 5 foram escavados. Os estudos são de arqueólogos da Universidade da Austrália Ocidental, que trabalham em AlUla desde 2018: a reportagem da BBC pode ser lida aqui.

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