Ciência

Se parece muito com um desconhecido? Saiba que vocês podem ter DNAs similares

29 • 08 • 2022 às 10:12
Atualizada em 30 • 08 • 2022 às 10:46
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Duas pessoas muito parecidas mas que não dividem qualquer parentesco são conhecidas doppelgänger: um novo estudo revelou, porém, que a semelhança supostamente ocasional pode significar que os sósias, mesmo sem serem parentes, dividem as mesmas variantes genéticas.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Barcelona, na Espanha, e publicado na revista científica Cell Reports no dia 23.

A pesquisa apontou as mesmas variações genéticas e até o mesmo comportamento entre sósias

A pesquisa apontou as mesmas variações genéticas e até o mesmo comportamento entre sósias

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Semelhantes desconhecidos 

O estudo também sugere que pessoas semelhantes podem se parecer não somente no rosto e corpo, mas também em aspectos do comportamento. Os pesquisadores trabalharam com 32 pares de sósias reunidos a partir de um trabalho que o artista canadense François Brunelle vem realizando desde 1999, e que responderam um questionário sobre estilo de vida.

Através de programas de reconhecimento facial, o estudo determinou que 16 das 32 duplas poderiam ser geneticamente relacionadas.

O estudo trabalhou com 32 pares de sósias

O estudo trabalhou com 32 pares de doppelgängers

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Em seguida, análises do genoma buscaram variações genéticas comuns entre as pessoas parecidas, e concluíram que 9 dos 16 doppelgängers de fato dividiam o mesmo tipo de variação genética.

A avaliação dos questionários apontou que também dividiam comportamentos comuns, como tabagismo e grau de escolaridade: apesar do estudo trabalhar com um pequeno grupo de participantes, os pesquisadores não acham que as descobertas possam mudar em um recorte maior.

Nove dos 16 pares selecionados apresentaram as mesmas variantes genéticas

Nove dos 16 pares selecionados apresentaram as mesmas variantes genéticas

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“Durante décadas, a existência de indivíduos que se assemelham sem ter qualquer vínculo familiar foi descrita como um fato comprovado, mas apenas em termos anedóticos e sem qualquer justificativa científica”, diz Manel Esteller, líder da investigação, em comunicado.

“O uso da internet e redes sociais para compartilhamento de imagens significa que agora somos capazes de identificar e estudar essas pessoas”.

Ajuda da internet

“Como a população humana é agora de 7,9 bilhões, essas repetições semelhantes são cada vez mais prováveis de ocorrer. A análise de uma coorte maior fornecerá mais variantes genéticas compartilhadas por esses pares individuais especiais e também poderá ser útil para elucidar a contribuição de outras camadas de dados biológicos na determinação de nossos rostos”, afirmou Esteller.

Os pesquisadores não acham que um recorte mais numeroso irá alterar o resultado

Os pesquisadores não acham que um recorte mais numeroso irá alterar o resultado da pesquisa

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“O uso da internet e redes sociais para compartilhamento de imagens significa que agora somos capazes de identificar e estudar essas pessoas”, concluiu a pesquisadora.

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© fotos: Manel Esteller/Cell Reports/divulgação