Ciência

Telescópio James Webb descobre galáxia mais antiga já observada

04 • 08 • 2022 às 10:02 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

A mais antiga galáxia já observada foi recentemente registrada pelo telescópio James Webb: datando de aproximadamente 300 milhões de anos após o Big Bang, a GLASS z13 é a mais distante já encontrada, localizado a 13,5 bilhões de anos de distância da Terra.

As imagens mostram apenas um ponto ou uma mancha avermelhada e com pouco foco, mas em verdade registra um pequeno grupo de estrelas nas origens do universo.

GLASS z13: a "mancha vermelha" da imagem é o mais antigo grupo de estrelas já registrado

GLASS z13: a “mancha vermelha” da imagem é o mais antigo grupo de estrelas já registrado

-James Webb prova que pode encontrar sinais de vida em outros planetas; entenda

Missão de responsa

A GLASS z13 é 100 milhões de anos mais velha que a GN-Z11, encontrada pelo telescópio Hubble em 2016, que até então mantinha o recorde de galáxia mais antiga já registrada.

A descoberta confirma uma das missões mais importantes do novo e mais potente telescópio, lançado ao espaço no final do ano passado: registrar os mais antigos e distantes corpos celestes, a fim de encontrar informações inéditas sobre os primeiros momentos do universo após o Big Bang.

A composição geral tirada pela câmera infravermelha do James Webb, com a GLASS z13 ao centro

A composição geral tirada pela câmera infravermelha do James Webb, com a GLASS z13 ao centro

-A beleza de uma estrela de oito pontas captada pelo telescópio James Webb

A mancha vermelha na foto revela uma galáxia pequena e consideravelmente menor que a nossa: enquanto a Via Láctea se “espalha” por um espaço de 100 mil anos-luz, a GLASS z13 tem um diâmetro de “apenas” 1,6 mil anos-luz.

O telescópio também identificou uma outra galáxia de idade similar, intitulada GLASS z11, com diâmetro de 2300 anos luz: para comparação, a Via Láctea se formou cerca de 2 bilhões de anos após o surgimento do universo.

Viagem no tempo

A a câmera infravermelha NIRCam, ainda embrulhada, sendo instalada no telescópio

A a câmera infravermelha NIRCam, ainda embrulhada, sendo instalada no telescópio

-Elemento presente em dentes humanos é detectado em galáxia 12 bilhões de anos luz

Com a câmera infravermelha NIRCam, o telescópio James Webb é capaz de praticamente voltar ao passado, retornando às origens do universo em seus registros.

Essa “viagem no tempo” acontece por conta do tempo que a luz dos corpos celestes “fotografados” leva para percorrer a imensa vastidão do espaço e chegar até o telescópio:  no caso da GLASS z13, o James Webb capturou luzes emitida há 13,5 bilhões de anos, e que se moveram ao ritmo da expansão do universo até a câmera – e aos nossos olhos diante da foto.

Representação do telescópio James Webb, o mais potente já lançado ao espaço

Representação do telescópio James Webb, o mais potente já lançado ao espaço

Publicidade

© foto 1,4: NASA/CSA/ESA/STScI

© foto 2: NASA/STScI/GLASS-JWST

© foto 3: Wikimedia Commons

 


Canais Especiais Hypeness