Futuro

Alemanha avança com projeto de legalização da cannabis para uso recreativo

26 • 10 • 2022 às 14:45 Yuri Ferreira
Yuri Ferreira   Redator É jornalista paulistano e quase-cientista social. É formado pela Escola de Jornalismo da Énois e conclui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo. Já publicou em veículos como The Guardian, The Intercept, UOL, Vice, Carta e hoje atua como redator aqui no Hypeness desde o ano de 2019. Também atua como produtor cultural, estuda programação e tem três gatos.

O governo alemão anunciou que deseja produzir uma legislação estruturada para legalização da cannabis  recreativa.

A maior economia da União Europeia deseja criar uma forma de produção de maconha com “controle público” e com limitação “de uma quantidade máxima de 20 a 30 gramas” por pessoas.

O governo alemão defende a medida para “garantir a proteção da saúde e coibir o crime organizado e o mercado clandestino”.

Especialista em saúde pública e parlamentar alemão, Dr. Lauterbach defende legalização ampla da maconha com controle estatal forte na produção

Atualmente, poucos países europeus possuem uma legislação que permita o uso recreativo da cannabis. Os Países Baixos possuem uma permissão para uso recreativo, bem como Malta e Luxemburgo, pequenos países que têm liderado um bloco dentro do Parlamento da União Europeia que crie uma legislação geral de permissão da planta em todos os 27 países-membros.

A proposta do governo alemão (Social-Democrata) é liderada pelo Ministro da Saúde Karl Lauterbach, médico formado em Saúde Pública pela Universidade de Harvard.

A estimativa dos sociais-democratas é que a nova proposta de legalização da cannabis seja aprovada e posta em prática até o ano de 2024. A Alemanha se tornaria o terceiro país da Europa a autorizar o uso recreativo da maconha de maneira federal. Também seria o segundo país do G7 a fazer uma legislação do tipo em nível federal.

No Brasil, retrocesso

Na semana passada, o Conselho Federal de Medicina (CFM) havia publicado uma resolução que limitava o acesso de pacientes ao uso medicinal de derivados da cannabis, como o canabidiol.

O órgão de representação dos médicos puniria os profissionais de saúde que recomendassem aos pacientes o uso desse tipo de substância.

Cannabis medicinal já é permitida em solo alemão há mais de cinco anos, enquanto Brasil vive limbo jurídico sobre situação

A justificativa do CFM seria de que faltavam estudos que comprovassem os benefícios de canabidiol para uma série de doenças, o que não é verdade.

Esta é a mesma entidade que protegeu médicos que desejavam receitar o comprovadamente ineficaz kit covid, com azitromicina, cloroquina e ivermectina, para a Sars-Cov-2. A desculpa era a “liberdade médica”.

Após muita pressão das entidades de saúde, o CFM suspendeu a proibição que puniria os médicos e os pacientes que fazem o uso de canabidiol. Agora, afirma que irá fazer consulta pública junto à sociedade para editar uma regulação sobre o tema. É a contramão da história, mesmo.

Leia também: Joe Biden dá perdão presidencial a todos os condenados por posse de maconha nos EUA

Publicidade

Fotos: Getty Images


Canais Especiais Hypeness