Tecnologia

Primeira cirurgia no cérebro com uso de robô da América Latina é realizada em hospital gaúcho

24 • 10 • 2022 às 07:51
Atualizada em 25 • 10 • 2022 às 08:20
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

O Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, foi cenário da primeira cirurgia cerebral com uso de um robô na América Latina. O procedimento inovador foi conduzido pelo neurocirurgião Arthur Pereira Filho, do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do hospital, e realizado com sucesso no dia 05 de outubro, concluindo uma biópsia de uma lesão cerebral em um paciente de 58 anos através do uso de navegador cirúrgico e de um braço robótico.

O médico Arthur Pereira Filho, trabalhou ao lado do irmão na cirurgia, o neurocirurgião Nelson Pereira Filho

O neurocirurgião Arthur Pereira Filho trabalhou ao lado do irmão, Nelson Pereira Filho

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Para atuar com segurança em áreas profundas e delicadas do cérebro, responsáveis por funções importantes como a linguagem e o controle motor, o equipamento traz maior velocidade, precisão e controle de forma menos invasiva, com capacidade de programação do procedimento pelo robô. Para poder utilizar a tecnologia, Arthur Pereira Filho precisou realizar um treinamento na Alemanha, para receber um certificado de capacitação.

O O equipamento utilizado na cirurgia foi o braço robótico Cirq, da empresa alemã Brainlab

O equipamento utilizado na cirurgia foi o braço robótico Cirq, da empresa alemã Brainlab

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O procedimento utilizou o braço robótico Cirq, da empresa alemã Brainlab, especializada em cirurgia assistida por computador, e o sistema de neuronavegação Curve, que funciona como um GPS do cérebro, a partir de imagens de ressonância magnética para guiar o procedimento e determinar os alvos da biópsia. No momento, a Anvisa autoriza o uso da novidade para a introdução de parafusos na coluna e a biópsia cerebral, mas o médico acredita que os equipamentos poderão promover revoluções na área.

O paciente que atravessou a biópsia cerebral curiosamente também era um médico de 58 anos

O paciente que se submeteu à biópsia cerebral curiosamente também era um médico de 58 anos

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“No futuro, podemos pensar em fazer cirurgias de alta complexidade à distância, por exemplo”, afirmou o médico, segundo reportagem do G1. “Um software faz a integração dos dados e comunica ao braço robótico. O primeiro movimento do braço é feito pelo cirurgião, que aperta um botão do braço e o leva até uma posição em que o neuronavegador faz a leitura. A partir do momento em que o equipamento dá luz verde, o braço faz o movimento sozinho e localiza milimetricamente o alvo pré-estabelecido”, explicou.

Hospital Moinhos de Vento, no bairro de mesmo nome, em Porto Alegre,

Hospital Moinhos de Vento, localizado no bairro de mesmo nome, em Porto Alegre

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© fotos 1, 2, 3: Leonardo Lenskij/Divulgação

© foto 4: Wikimedia Commons


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